O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja investir R$ 450 milhões na aquisição de terras para reforma agrária, uma demanda recorrente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que criticou intensamente o antigo aliado durante o primeiro ano desta terceira administração.

A projeção do ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, integra o programa Terra da Gente, que foi lançado em abril como parte de uma iniciativa que Lula chamou de “prateleira de terras”, visando evitar que o MST precise invadir propriedades privadas. “Nós vamos chegar a R$ 450 milhões até o final do ano com essa prateleira de compra de terras”, afirmou Teixeira em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada neste domingo (13). Desse total, pelo menos R$ 200 milhões já foram gastos, e o restante deverá ser liberado em breve, segundo o ministro. Em abril, no lançamento do programa, havia a expectativa de um valor maior, de R$ 520 milhões apenas para este ano, suficiente para assentar 73 mil famílias, conforme informado pelo Palácio do Planalto na ocasião. Na mesma ocasião, o governo anterior havia assentado 295 mil famílias até 2026 no Programa Nacional de Reforma Agrária, incluindo 74 mil assentadas e 221 mil reconhecidas ou regularizadas em áreas já existentes. Teixeira também mencionou que, além dos R$ 450 milhões, o ministério “cavou, cavou e cavou” e encontrou quase R$ 700 milhões em recursos de 2000, remanescentes do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que se somarão a R$ 300 milhões em créditos que ainda aguardam aprovação do Congresso. Esse total, que soma R$ 1 bilhão, será destinado a créditos de instalação para os assentados. Existe ainda a possibilidade de adjudicar terrenos, transferindo propriedades de grandes empreendedores para a União, além de utilizar terras que pertencem ao Banco do Brasil. Entretanto, essas duas iniciativas ainda precisam da aprovação do Ministério da Fazenda para serem implementadas. Durante o lançamento do programa, o governo ressaltou que a Terra da Gente e as novas alternativas de aquisição aumentarão em 877% o número de famílias assentadas em comparação ao período de 2017 a 2022. Fonte: Gazeta do Povo
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